Por Mayrlla Motta – Trinta anos depois de conquistar uma geração, Toy Story 5 resgata personagens que marcaram a infância de milhões de pessoas para discutir um dos desafios mais atuais da parentalidade: o cyberbullying, o uso excessivo de telas e a necessidade de supervisão no ambiente digital.
Na trama, os pais de Bonnie ao perceberem que a filha estava com dificuldades de fazer amizades no novo bairro, compram um tablet para a pequena com o intuito de proporcionar essa interação, ainda que virtual.
Os impactos desse presente influenciam não só no comportamento da pequena no brincar, mas também nas interações sociais entre pai, mãe e filha, acendendo o alerta dos brinquedos para resgatar a Bonnie desse universo virtual.

LIMITES
Segundo a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), uma criança de 8 anos, idade da personagem, deve ter o limite de telas de 2 horas por dia. Menos de 2 anos é recomendado evitar totalmente o uso, já para crianças de 2 a 5 o limite é de 1 hora, entre 6 a 10, de 1 a 2 horas por dias, e maiores de 11 a 18 anos, de 2 a 3 horas por dia.
No longa, a personagem parece ultrapassar esse limite, já que em alguns momentos do dia só larga o tablet para fazer as refeições. Diante desse cenário, a pequena deixa de brincar com seus brinquedos ficando mais interessada em jogos e chats com amigas. Sem supervisão dos pais, a menina acessa e fala com outras crianças com total liberdade. O que é um alerta, pois menores de idade não devem acessar jogos, apps, sites e afins sem supervisão, ainda de acordo com a SBP.

Como consequência dessa liberdade, ela é exposta a situações de cyberbullying por parte dessas amigas e acaba vivendo uma das cenas mais tristes do longa. Esse cenário está longe de ser apenas obra de ficção. reflete uma realidade enfrentada por crianças no Brasil e no mundo., segundo aponta uma pesquisa feita pela Unicef: um em cada três adolescentes afirmou já ter sido vítima de bullying online. Além disso, um em cada cinco disse ter faltado à escola em razão da violência sofrida na internet.
Na animação, os pais da pequena não percebem a tristeza da criança. Sendo esse um dos principais sinais que uma criança pode apresentar em situações como essa. Ela fica reclusa, nega interações e muda completamente de comportamento, sendo um deles de esconder o tablet contra o corpo – um sinal clássico que visa evitar que outra pessoa pegue o aparelho e veja o que está acontecendo na tela.
SEGURO NA INTERNET
Se, há três décadas, Woody e Buzz ensinaram sobre amizade, lealdade e a importância de nunca abandonar quem amamos, agora eles retornam para lembrar que proteger uma criança também significa estar presente na vida digital
Mais do que uma aventura de brinquedos, o longa traz essa reflexão sobre os impactos do uso excessivo de telas pelas crianças, o cyberbullying, a importância da supervisão dos pais no ambiente virtual.
Enquanto o primeiro filme parece ter a história voltada para os pequenos, esse traz um tema mais profundo para pais e mães, que muito provavelmente são as mesmas crianças que assistiram a trama nos anos 90, mas que hoje vivem o dilema de educar uma nova geração.
É justamente esse o propósito do projeto Seguro na Internet, da Acadi-TI. Na terceira temporada, dedicada ao cyberbullying, o convite é simples: antes de levar as crianças “ao infinito e além” no mundo digital, é preciso ensiná-las a navegar com segurança.
Por isso fica o alerta: crianças no mundo digital precisam ser supervisionadas, mas também educadas para reconhecer riscos, agir com segurança e pedir ajuda sempre que se sentirem ameaçadas. Em Toy Story os brinquedos fazem de tudo para proteger a criança, mas fora desse universo, a responsabilidade é do adulto.

